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Galpão Aplauso capacita jovens do RJ por meio da Lei Rouanet

publicado: 15/03/2019 16h38,
última modificação: 15/03/2019 16h39

Em 2004, a economista Ivonette Albuquerque decidiu criar um projeto social que oferecesse a 20 jovens de regiões periféricas do Rio de Janeiro formação artística e profissional, facilitando seu ingresso no mercado de trabalho. Para financiar a iniciativa, procurou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ouviu a seguinte proposta: a instituição entraria como patrocinadora, mas com, no mínimo, 300 jovens. “Era uma proposta ousada, mas decidi arriscar”, conta. E aí surgiu o Galpão Aplauso, organização não governamental sem fins lucrativos que já atendeu, desde a fundação, cerca de 13 mil jovens de 15 a 29 anos.

Nesses quase 15 anos, o Galpão Aplauso – que conta com apoio da Lei Rouanet para a realização de suas atividades – consolidou um método de educação para o emprego, o qual concilia o aprendizado e desenvolvimento técnico ao desempenho afetivo, sociocultural e ético. “Passamos para os alunos conhecimentos profissionais e artísticos, matemática, português, valores e virtudes, usando a oralidade como ferramenta principal”, explica Ivonette. As aulas são gratuitas e os alunos recebem R$ 300 por mês de auxílio-transporte.

O trabalho realizado pelo Galpão Aplauso só é possível devido ao apoio da Lei Rouanet. “Tem sido um apoio fundamental para realizarmos nossas atividades, sobretudo as oficinas artísticas”, informa. “Várias empresas são nossas parceiras no projeto por intermédio da Rouanet, como as Lojas Americanas e a B2W, entre outras”, completa.

Em geral, os alunos que chegam ao Galpão Aplauso são direcionados às oficinas da área cultural, que incluem teatro, circo, dança, música e artes plásticas. Após cerca de um ano, seguem para um dos cinco cursos profissionalizantes: serralheria e solda; instalador de sistema eletrônico de segurança; logística e operador de empilhadeira; auxiliar de infraestrutura; e alpinismo industrial. “Hoje, somos o maior fornecedor de mão de obra de ensino básico para o setor de petróleo e gás do Rio de Janeiro”, informa Ivonette.

A fundadora do projeto destaca que a instituição atende, atualmente, cerca de 450 jovens, provenientes, sobretudo, de comunidades da zona oeste e da Baixada Fluminense. “Muitos chegam sem estudar, sem trabalhar, sem nenhuma perspectiva, às vezes até já tendo se envolvido com a criminalidade. Em geral, eles ficam na instituição por um período que varia de 12 a 18 meses”, conta. “A experiência no Galpão Aplauso muda a vida desses jovens. Há vários casos de famílias em que o único filho vivo é o que passou por aqui, o que mostra a dramática situação de muitos dos nossos alunos. É muito gratificante dar a eles uma oportunidade de mudança de vida”, ressalta.

Segundo pesquisa do Escritório de Avaliação e Supervisão do BID, o aumento de renda mensal dos jovens seis meses após a conclusão do curso é de 46,2%, com uma empregabilidade de 64,5%. E, em até 12 meses, o número de jovens que conseguiram emprego com carteira assinada chegou a 82%. “A cada R$ 5,3 milhões aplicados no projeto, são gerados R$ 10,9 milhões na economia dos locais onde os jovens circulam”, aponta Ivonette.

Chaieny Cristiny Silva de Carvalho, 29 anos, é uma das jovens que comprova a alta empregabilidade dos alunos do Galpão Aplauso. “Para mim, foi uma mudança de vida, tanto profissionalmente quanto na forma de pensar. Quando cheguei não tinha nenhuma oportunidade em vista e, depois de concluir o curso, consegui uma profissão”, conta Chaieny, que trabalha há quatro anos como alpinista industrial. “Quando você é de uma comunidade carente como a minha (Cidade Alta), são raras as possibilidades de melhoria de vida. O trabalho feito pelo Galpão Aplauso é incrível”, reconhece.

Ana Paula de Oliveira, 28 anos, estuda no Galpão Aplauso desde julho deste ano. “Aqui não aprendemos apenas o conteúdo técnico, mas há também um foco importante em valores e virtudes, o que nos aperfeiçoa como seres humanos. Em nossa sociedade falta muito o respeito, a tolerância, e aqui trabalhamos isso todos os dias, inclusive com dinâmicas de comunicação não violenta”, conta a estudante, que faz aulas de logística e operador de empilhadeira. “É uma área que pode gerar meu primeiro emprego, mas meu sonho mesmo é me formar em psicologia, estou até fazendo um curso preparatório para isso”, acrescenta.

Ane Dilei, 23 anos, moradora da Baixada Fluminense, foi ao Rio de Janeiro para um curso sobre cinema e acabou conhecendo, pela internet, o Galpão Aplauso. Começou em maio o curso de artes plásticas. “Sempre gostei muito de desenhar, faço grafite, mas não tinha noção do meu talento. Quando cheguei aqui, aprendi várias técnicas, aprendi sobre cores, traços. Subi de patamar como profissional”, afirma. “Hoje me identifico como artista, acredito muito mais no meu potencial. Eu me encontrei com a pintura e quero trabalhar nessa área”, conta Ane.

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