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Festival valoriza música instrumental e movimenta cena cultural no Maranhão

Com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o festival Lençóis Jazz e Blues oferece de graça apresentações e oficinas de capacitação

publicado: 15/03/2019 16h51,
última modificação: 15/03/2019 16h51

Grandes instrumentistas locais, nacionais e internacionais, oficinas de músicas gratuitas e valorização da cultura brasileira são algumas das marcas do festival Lençóis Jazz e Blues. Realizado no Maranhão com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o festival chega à 11ª edição e tem o objetivo de ampliar a visibilidade de artistas locais e levar para o estado nomes importantes da música brasileira.

O idealizador do festival, Tutuca Viana, é formado em Direito e atua no meio artístico como músico, cantor, compositor e produtor. A iniciativa começou a ser vislumbrada quando Tutuca, ciente da beleza natural de Barreirinhas (MA), município que dá acesso ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, sentiu falta de um evento diferenciado e menos massificado na região. “Por ter tocado em diversos festivais de jazz, como no de Montreux, na Suíça, veio a vontade de trazer essa vivência para o Maranhão”, recorda.

A primeira edição do projeto foi realizada em 2009, em um resort de Barreirinhas cedido por um amigo de Tutuca. Na época, ainda sem apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o festival era pago e alcançava uma média de mil pessoas. Em 2011, ainda com ingressos sendo vendidos, o evento chegou à capital São Luís.

Foi a partir do ano seguinte que o festival começou a buscar apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e tornou-se gratuito para o público. “Foi a oportunidade de colocar o festival na rua, passando de um público de mil para cinco mil pessoas apenas em um dia de evento. Foi impressionante”, revela Tutuca. “De lá pra cá, o festival virou uma grande vitrine para o Maranhão, o que surpreendeu a todos os responsáveis pela realização”, completa.

Nomes como João Donato, Ed Motta, Yamandu Costa, Tulipa Ruiz, Roberto Menescal e Hamilton de Holanda já subiram aos palcos do Lençóis Jazz e Blues. O festival cresce a cada edição, ganhado lugar cativo no calendário anual maranhense. Em 2018, a média de público em dois dias de festival foi de 21 mil amantes da música. “A gente agrega muita coisa, emprega muita gente e inspira realizadores a trazerem outros festivais para o estado”, afirma o idealizador.

Doação de instrumentos

Para Tutuca, o mais importante não é apenas realizar um festival de música, mas também deixar um legado. “Temos a preocupação de doar instrumentos à escola de música, oferecer encontros entre artistas e gerar renda a partir do turismo, favorecendo a economia criativa. Ao longo desses 10 anos, percebemos a qualificação do nosso cardápio musical”, afirma Tutuca, que também traz para o festival feiras gourmet e de artesanato – além de palestras, exposições e oficinas.

Parceiro do Lençóis Jazz e Blues desde a edição inaugural, o gaitista carioca Jefferson Gonçalves contribui tanto tocando como ministrando a oficina “O universo da Música através da Gaita”. Na estrada há 26 anos, ele começou a tocar em 1990, com a banda “Baseado em Blues”, com a qual lançou três trabalhos, e depois seguiu carreira solo a partir de 2004. Cinco anos depois, viu o festival nascer. “O que mais me surpreende é a parceria com músicos locais. Tive o privilégio de gravar uma música no meu CD Encruzilhada com artistas de São Luís, usando ritmos maranhenses, de tocar com o baixista Samir Aranha… Esses encontros acontecem graças ao festival. O intercâmbio entre artistas de diversos locais é um diferencial do evento, daí surgem parcerias”, destaca.

Em relação à Lei Federal de Incentivo à Cultura, o instrumentista lamenta a falta de conhecimento por parte da população. “Fico muito triste quando leio ou escuto pessoas falarem sobre a lei sem o mínimo de conhecimento. A lei trouxe diversos benefícios à arte e tanto preserva como desenvolve a cultura nacional. Graças a ela, muitas cidades entraram no circuito dos grandes festivais do mundo. Os Lençóis são um bom exemplo”, pontua.

Na visão do produtor Tutuca, o maior diferencial do evento é dar espaço à música instrumental brasileira, principalmente de artistas locais e do Nordeste. “A gente mistura tudo: choro, bossa nova, jazz, blues, música produzida no Maranhão, instrumentais nordestinos, do Sul. O Brasil é muito rico em seu cancioneiro”, ressalta. Segundo Tutuca, a democratização e o acesso à cultura por meio das leis de incentivo devem ser ampliados. Ele considera necessário, por exemplo, que empresas patrocinadoras – aquelas com as quais o proponente consegue o dinheiro autorizado pela lei de incentivo por meio de renúncia fiscal – também olhem para cidades mais afastadas do eixo Rio-São Paulo.

“Com a Lei de Incentivo, não precisamos cobrar a entrada e conseguimos dar conta de montar uma boa estrutura. Sem ela, não teríamos alcançado a dimensão que atingimos hoje”, afirma.

Anualmente, o festival Lençóis Jazz e Blues é realizado em duas cidades do Maranhão. Em 2019, a 11ª edição chega entre os dias 9 e 11 de agosto a Barreirinhas e de 16 a 18 de agosto a São Luís.

Para mais informações e acompanhamento da agenda do festival, acesse o portal do evento, em lencoisjazzeblues.com.br.

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